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| Casa de Prostituição na holanda, um dos países que legalizaram a atividade |
Pergunta do dia: Qual é considerada a profissão
mais antiga do mundo? Se sua resposta foi “prostituição”, você está correto.
A comercialização do corpo, hoje já não
mais (e talvez nunca tenha sido) exclusividade da mulher, é algo rotineiro
dentro da história da humanidade. Casas especializadas no assunto eram
rotineiras durante a alta idade média, mas, durante a baixa idade média, foram
caçadas, pois a profissão não seguia as morais da fé católica, que reinava
dominante por toda a Europa e depois se espalhou pelo mundo.
Com as discussões que se seguem hoje
sobre a legalização dessas casas, que eu pessoalmente acho um erro enorme,
por ser debatido antes da profissionalização da profissão (então espero que
essa venha primeiro, para proteger a profissional), a discussão sobre esse
polêmico assunto entra em foco.
Não me espanta, em um país provinciano
como o nosso, que esse assunto ganhe aspecto tão negativo. Nosso histórico
católico transforma a prostituição em um tabu, assim como ocorre com outros
assuntos que também estão em foco atualmente.
O grande poder que a religião exerce
ainda no país, principalmente com os cultos protestantes, tem uma influência
imensa na forma de pensarmos como uma nação.
Essa moral religiosa não nos permite
pensar livremente sobre como as coisas são de fato.
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| Exemplo do que ocorre hoje |
Nós travamos uma luta imensa contra o
totalitarismo no último século. E é estranho perceber que as mesmas pessoas que
pregam contra ele, acabam exercendo-o, ao sempre querer impor seu próprio
pensamento à força, se necessário.
Sim. Você tem sua moral e tem direito a
tê-la e a segui-la. Mas necessito repetir algo que disse em outro texto meu (O perigo criado pelas igrejas dentro docongresso nacional): “o convencimento faz parte da índole natural humana,
mas ele sempre deve ser feito por base em argumentações e não de imposições”.
Afirmo com isso que, sim, você pode lutar por aquilo que sua moral acha correto
luta, e deve fazer isso, mas usando argumentação e não impondo seu modelo de
pensamento.
A não legalização da atividade sexual
remunerada como profissão, vai contra qualquer direito a liberdade individual e
sexual que necessitamos defender. Você ainda tem o direito que achar que a prostituição
é um pecado, mas isso não lhe dá o direito de interferir e atrapalhar a vida do
outro, que não tem a mesma “filosofia” que você.
Concordo que muitos problemas são
gerados pela legalização prostituição e das casas de prostituição, tal como a
exploração sexual. É algo que deve ser combatido ferozmente, por significar um
grande problema social. Mas não podemos seguir o modelo imperialista de frear a
liberdade individual de um povo em prol da segurança pública.
Necessitamos separar os fatos entre si.
Mesmo tornando o problema mais difícil de ser combatido, afinal bloquear tudo é
mais fácil do que procurar o que necessita ser bloqueado, não podemos negar que
nem sempre o caminho correto é o mais simples a ser seguido, mas é sempre o
mais necessário.
Devemos buscar a justiça social para
todos. A legalização, e consequente proteção trabalhista, para as prostitutas e
casas de prostituição, significam um grande avanço em busca dessa justiça.
Essa legalização, não resolverá
absolutamente nada. Necessitamos também criar oportunidades para mulheres e homens,
pois a oportunidade é o único meio de se criar uma real liberdade.
Que
a legalização de prostíbulos e da profissão de prostituta, seja algo que
acarrete a possibilidade de escolha, para que o ser humano escolha livremente o
caminho que quer seguir, sem julgamento moral entre o certo e errado, quando a
ação corresponde a uma liberdade individual, sem comprometer o próximo. Mas não
pode ser encarada como o único caminho para pessoas que nascem na miséria e não
enxergam nenhuma outra porta aberta além dessa. Pois, assim, não estaríamos incentivando
a real liberdade.
Já não podemos mais observar o mundo do mesmo modo que observávamos antigamente. As coisas mudaram. A prostituição que era mal vista antigamente, hoje já alcança certa legitimidade e até romantização, como ocorreu com Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, e seus livros. A proibição da atividade perdeu sua legitimidade, encontrando barreira apenas em velhos pensamentos conservadores.
Encontro-me cansado de algumas ideias
contrárias que só encontram pseudo-argumentações quando se baseiam ensinamentos
religiosos, que insistem em impor ao resto do mundo à sua volta.
Acima de tudo, devemos defender a liberdade
e igualdade. Nós, como humanidade, já vimos os horrores que a imposição de um
modelo de pensamento pode trazer. Temos inúmeros exemplos durante os últimos
séculos.
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